Para Paulo Freire educação é um processo de consciência crítica, onde o educando tem uma posição crítica e através dessa crítica, a realidade passa a ser um conhecido objeto dentro do qual ele procura o conhecimento e assume uma posição epistemológica. O aluno constrói o conhecimento a partir da realidade, do que ele já conhece, do valor programático das coisas e fatos de sua vida cotidiana, de suas situações existenciais. Então ele se politiza e tem uma visão da totalidade da linguagem e do mundo.
Segundo Dewey, (1985) “ O fim da educação é permitir a cada indivíduo jamais cessar sua educação”
Atualmente, somos educados dentro de um sistema que determina quais são os conteúdos importantes para o aluno, o momento certo para que estes conteúdos apareçam no currículo e centraliza o professor como filtro e transmissor de informações. Será que isto prepara nossos alunos a aprender a aprender?
“Se existe um setor no qual os métodos ativos deverão se impor no mais amplo sentido da palavra, é sem dúvida o da aquisição das técnicas de experimentação, pois uma experiência que não seja realizada pela própria pessoa, com plena liberdade de iniciativa, deixa de ser, por definição, uma experiência, transformando-se em simples adestramento, destituído de valor formador por falta de compreensão suficiente dos pormenores das etapas sucessivas”.(Piaget)
Como afirma Kamii, seguidora de Piaget, "A essência da autonomia é que as crianças se tornam capazes de tomar decisões por elas mesmas. Autonomia não é a mesma coisa que liberdade completa. Autonomia significa ser capaz de considerar os fatores relevantes para decidir qual deve ser o melhor caminho da ação. Não pode haver moralidade quando alguém considera somente o seu ponto de vista. Se também consideramos o ponto de vista das outras pessoas, veremos que não somos livres para mentir, quebrar promessas ou agir irrefletidamente"
(Kamii C. A criança e o número. Campinas: Papirus).
O uso de determinadas ferramentas informáticas, possibilitam aos alunos, por exemplo, buscar dados em sua realidade, em sua experiência de vida, armazená-los em bancos de dados, representar estes dados através de gráficos encarregando-se assim dos próprios processos de aprendizagem, como diz Freire.
O uso da Internet, por sua vez, possibilita que alunos e professores ampliem suas relações para além do contexto imediato abrindo a possibilidade de trocas com realidades diversificadas, com outras culturas e formas de vida levando-os a compreender as semelhanças e diferenças existentes entre os povos. Ver o aluno como sujeito de sua aprendizagem é uma atitude respeitosa ao aluno e uma filosofia social democrática.
Este trabalho pretende investigar como o uso de recursos informatizados pode favorecer e influenciar a forma de aprender de um grupo de alunos.
Usando a informática em sala de aula, considerando a rede conceitual dos alunos desenvolvemos com eles projetos de aprendizagens.
Para iniciarmos um Projeto de Aprendizagem precisamos, como estratégia, levantar preliminarmente com os alunos, suas certezas provisórias e suas dúvidas temporárias. E quanto mais vai se pesquisando, as dúvidas podem vir a ser certezas e talvez as certezas podem virar dúvidas. Com o auxílio do professor orientador que vai levando a situação, os alunos interagem e vão construindo seus conhecimentos.
O orientador precisa ativar o intelecto dos alunos, promovendo alegria de conviver e cooperar, desenvolver um clima de respeito, despertar a iniciativa de auto-avaliação, estimular a livre expressão , seu pensamento e reflexão. O professor deve orientar o aluno com perguntas que estimulem seu pensamento fazendo com que o aluno teste e avalie suas hipóteses, argumente, descrevam, façam relatórios...
Para que um novo conhecimento possa ser construído, ou para que o conhecimento anterior seja melhorado, expandido, aprofundado, é preciso que um processo de regulação comece a compensar as diferenças, ou as insuficiências do sistema assimilador. O conhecimento novo é produto de atividade intencional, interatividade cognitiva, interação entre os parceiros pensantes, trocas afetivas, investimento de interesses e valores.
O aluno deixa de ser o receptor de informações para tornar-se o responsável pela construção de seu conhecimento, usando o computador e a internet para buscar, selecionar e inter-relacionar informações significativas na exploração, reflexão, representação e depuração de suas próprias idéias, segundo o seu estilo de pensamento. Nesse ambiente, o aluno é o sujeito da aprendizagem significativa, porque lhe é dada a liberdade de trabalhar um conhecimento que esteja em sintonia com os seus interesses e necessidades.
Desenvolvimento da experiência:
A prática foi realizada no município de Santa Cruz do Sul/RS na Escola Estadual de Educação Básica Estado de Goiás, contando com 24 alunos de 7ª série, turma 71,do ensino fundamental, turno da manhã. Os alunos possuem idade entre 12 e 14 anos.
Escolhemos esta turma pois todos os professores parceiros trabalham com esta turma.
Apenas alguns alunos não tinham contato com o computador. Já conheciam, já usaram , mas não tem em casa.
A escola está localizada no centro de Santa Cruz do Sul, mas nem todos os alunos residem nas proximidades da escola. (porcentagem)
Contamos com um laboratório onde possui 16 máquinas conectadas pela internet banda larga, mas somente 10 estavam funcionando.
Para a realização deste estudo utilizamos uma série de recursos como:
· Laboratório de informática com (10 computadores, 2 impressoras, 1 scanner, 1 servidor,navegador mozila firefox, programas como word, e-mail, CD roon, disquete)
· Sala de aula com giz e quadro negro
· Painel para a realização das perguntas, dúvidas.
· Acervo da biblioteca da escola
· Câmara digital para (fotos e filmes)
O projeto foi realizado com as professoras parceiras:
Sílvia Durante (Português) Sirlei Lopes Bandeira (História) Vera L. X. Silva ( Geografia), no período de 22/03 à 19/04
Ao todo foram 22 horas aula realizados em 11 encontros de 2 períodos. Totalizando 5 semanas.
Os alunos se mostraram bastante motivados e segundo a professora de geografia , foi aí que começou um melhor relacionamento entre eles, pois até então as aulas de geografia eram consideradas chatas e monótonas.
Os alunos dividiram-se em 6 grupos...
Grupo 1...
Grupo 2....
Grupo 3...
Grupo 4 ...
Grupo 5 ...
Grupo 6...
Quando iniciamos o projeto no laboratório de informática foi mostrado como se entra na página como postar e conhecer o ambiente virtual.
Os alunos se mostraram bastante interessados, mas com aquela indagação. Como será que vai ser este trabalho? Estavam bastante curiosos.
Um aluno não estava disposto em trabalhar, ficava pelos cantos ...problemas,
Outros acharam dificuldades de trabalhar em casa ...
Tivemos a oportunidade de conversar com os pais da turma, em uma reunião, onde os pais estavam um pouco preocupados sobre esta atividade diferente, pois surgiram temas variados e um não muito sugerido como conteúdo então os pais foram esclarecidos e gostaram da oportunidade que seus filhos tiveram na escola, pois foi a turma privilegiada.
No penúltimo encontro fizemos um mine-filme de 20 a 30 segundos com cada grupo apenas para mostrar como os alunos estavam bem empolgados, mas tímidos na frente da câmara.
No último encontro os grupos tiveram a oportunidade de apresentar as páginas concluídas para a turma, demonstrando toda a sua criatividade, organização, cooperação no trabalho que desenvolveram.
Concluímos ao final deste trabalho que os alunos superaram as nossas expectativas quanto a qualidade das informações e uso as tecnologia, salientando ainda a cooperação e a autonomia que os mesmos haviam desenvolvido e praticado durante a realização dos projetos.
Através das observações feitas, podemos concluir que X aluno mudou sua postura perante a turma e os professores, demonstrando-se interessado e motivado em relação ao projeto desenvolvido o aluno mostrou preocupação não só em realizar os trabalhos, mas em explicar aos colegas o que havia feito, socializando seu conhecimento com o grupo. Observamos também, que X sentiu-se valorizado pelos colegas aumentando assim, sua auto-estima e espírito cooperativo.
Ainda não foi desta vez que descobrimos o que o aluno X gosta de fazer. Não tivemos com ele o resultado esperado, pois X continuou sendo o mesmo aluno de antes. Deixamos um grande questionamento: De que forma poderíamos ter atingido o aluno Y? O que poderíamos ter feito diferente? Que caminho tomar?
Acreditamos que a partir de questionamentos como estes, é que nós professores, poderemos fazer com que a Educação seja centrada no aluno, nas suas questões e nos seus interesses.
Devemos ter consciência de que cada aluno é diferente um do outro, e que não precisam aprender as mesmas coisas, ao mesmo tempo e da mesma maneira. Temos que prepará-los para aprender a aprender, para ter autonomia e para ser crítico.
Considerações Finais:
Devemos marcar aqui o ponto final desse nosso percurso,porém, o ponto inicial para as novas possibilidades de trabalho em nossa prática docente. Ficamos com a sensação que muitas questões não foram colocadas e outras não receberam respostas. Talvez, porque a busca de um equilíbrio entre a explicação e a reflexão sobre a prática tenha que significar forçosamente o deixar no ar alguns detalhes importantes mas, o empenho desta turma na realização de seus Projetos de Aprendizagem nos possibilitou discutir e refletir alguns aspectos referentes ao emprego da Informática na Educação, tais como:
· Como avaliar nossos alunos qualitativamente, já que nesse processo educacional realizado, o método quantitativo convencional não se aplica?
· Abrir a discussão para a construção de uma outra perspectiva de trabalho com os alunos. Exige muito mais empenho do professor, mas os resultados são animadores, fazendo-nos crescer enquanto profissionais da Educação.
· No estudo que realizamos, procuramos dar ênfase nas possibilidades do aluno, e não nas suas dificuldades, tentamos intervir de modo a colocar o aluno como sujeito de sua aprendizagem. Os dados levantados, analisados e interpretados através da elaboração das pesquisas feitas pela internet, livros, catálogos e outros e divulgação em páginas web evidenciaram a construção do conhecimento, o desenvolvimento da autonomia, da criticidade e auto-crítica dos alunos.
A estratégia usada foi desafiar os alunos a investigar e decidir como buscar informações sobre a questão trabalhada. Constatamos que não é necessário que o aluno tenha domínio prévio do computador, isso faz parte do processo de aprendizagem. Buscamos discutir com nossos alunos a importância da divulgação de seus trabalhos na Internet, o que fez com que eles se sentissem responsáveis e comprometidos. Os trabalhos estão disponíveis no endereço: www.pa71escolagoias.pbwiki.com .
O futuro é dimensão fundamental do homem. Pelo projeto torna-se senhor do futuro.Analisa o passado, retoma-o na memória para ir adiante com ele ou apesar dele. Portanto, projetar supõe um profundo senso de análise do presente e do passado para criticá-los, denunciando os problemas existentes; ser criativo e cooperador, crítico para propor um modo de vida humano diferente. Paulo Freire falava que ser utópico não é ser irrealista ou fazer propostas absurdas, mas é ser capaz de denunciar e anunciar: Denunciar a sociedade ou as relações injustas entre homens e anunciar uma sociedade mais humana.
Educador é aquele que é capaz de instigar a resolução de problemas, vislumbrar significados para a vida, dignos de envolver os jovens em tarefas radicais, pelas quais sejam capazes de dedicar suas vidas.
Enfrentar esta nova realidade significa ter como perspectiva cidadãos abertos e conscientes, que saibam tomar decisões e trabalhar em equipe. Cidadãos que tenham capacidade de aprender a aprender e de utilizar a tecnologia para a busca, a seleção, a análise e a articulação entre informações e, dessa forma construir e reconstruir continuamente os conhecimentos utilizando-se de todos os meios disponíveis em especial os recursos do computador e da internet. Pessoas que atuam em sua realidade tendo em vista a construção de uma sociedade mais humana e menos desigual.
Referências:
· Reflexão e Ação. – Vol. 1, n.1(nov 1990) Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 1990 - Departamento de Educação;
· Vasconcellos, Celso dos Santos, 1956 - Planejamento: Projeto de Ensino-Aprendizagem e Projeto Político-Pedagógico 12ª ed. / Celso dos Santos Vasconcellos. - São Paulo: Libertad Editora, 2004;
· DEWEY,jonh. Vida e Educação.[S.I.]:Blackwell Scientific,1985;
· FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança. Rio de Janeiro:Paz e Terra,1992;
· PIAGET, Jean.Para onde vai a Educação?.Trad. Ivette Braga.7.ed.Rio de Janeiro:Editora UNESCO,1980;
· http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire ;
· http://www.paulofreire.org/ ;
· http://www.centrorefeducacional.pro.br/piaget.html ;
Comments (3)
Anonymous said
at 2:59 am on May 1, 2007
Olá professores!
Escrevi a introdução do modo que entendi. Por favor me auxiliem caso não estiver correto. Abraços. Cleusa
Anonymous said
at 12:56 am on May 17, 2007
Oi Cleusa! Tudo bom? Desculpe a minha intromissão... Mudei a forma de edição do teu wiki para facilitar as cores. Escrevi em verde algumas sugestões. Abraços!
Anonymous said
at 10:41 pm on May 17, 2007
Olá prof. Paulo!
Legal! Assim podemos ir melhorando o texto.
Este editor é bem melhor, inclusive eu já uso ele.
Obrigada pela ajuda.
Abraços!
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